Exibição e debate com diretor Esmir Filho
Exibição e debate com diretor Esmir Filho

O protocolo de apresentação foi quebrado com perguntas de uma aluna perplexa e incomodada após a exibição: “A menina estava morta? No final o menino também morria? Qual o sentido da história? Porque eu não entendi!”. A resposta do diretor Esmir foi “ótimo o sentido às vezes a gente não compreende muito claramente, principalmente quando estamos vivendo coisas”.

Esmir começou o debate falando da confusão e nebulosidade da adolescência. O menino, protagonista da história, esta passando por um momento que ele esta se entendendo e por isso ele não acha algumas repostas para suas perguntas. As coisas acontecem na vida dele, naquela região, naquela cidade que fala alemão, que os avós falam alemão e a partir desse universo, o diretor criou a confusão na cabeça do menino que estavam se conhecendo. Nessa cidade há uma ponte, símbolo muito forte da ligação entre a infância e a idade adulta. Para o diretor, a ponte pode ser a adolescência

“aquele momento que você não esta tão instável, que se olhar para baixo você pode cair a qualquer momento, mas se você seguir andando você atravessa. E talvez por isso que termina com ele atravessando. É um momento que ele tem que ir, passar essa ponte, olhar para trás e tentar entender. Queria fazer o filme a ponto de vista no menino, por isso a confusão. A câmera entra na cabeça do menino, tudo q ele pensa. A partir desse momento que a câmera entra na cabeça do menino tudo é possível.”

Exibição e debate com diretor Esmir Filho
Exibição e debate com diretor Esmir Filho

Esmir adaptou o livro homônimo do escritor brasileiro Ismael Caneppele que traz um retrato sobre a adolescência. O livro narra em primeira pessoa a cabeça de um menino, morador de uma cidade do interior, seus conflitos e sentimentos escondidos. A adaptação do livro ao cinema, segundo Esmir, cria um diálogo entre as palavras do livro e as imagens do filme, tudo se dialoga e se completa para buscar no leitor/espectador sentimentos análogos. Trazer uma sensação que a história estava acontecendo em algum lugar bem longe mas ao mesmo tempo muito próximo.

“Quando olhei a história, falei que queria fazer disso um filme. Porque acredito assim, cinema é cinema, literatura é literatura. Poderia colocar o menino lá pensando e uma voz off falando o que ele ta pensando mas a minha ideia, queria respeitar a ideia do autor, entrar na ideia do autor, imaginar o que o menino esta imaginando e eu tentei colocar em imagem e som a sensação parecida com aquilo que ele estava me transmitido.”

O casal de jovens produz vídeos sobre sua vida, ambos visualmente sensíveis, falam sobre suicídio e são essencialmente melancólicos ao mostrar o lado obscuro, confuso e angustiante da adolescência. A jovem produz sua linha do tempo da sua vida na internet através desses vídeos, contudo é uma linha do tempo editada, ou seja, ela colocou o que quis colocar, o que interessava e como ela queria que os outros a vissem. Mesmo após a sua morte essa linha permanece e você pode ainda sentir a presença dessa menina, está lá mas não fisicamente, e o jovem, de nickname Mr Tambourine Man, acessa esses vídeos e se apropria da vida deles como se ambos ainda estivessem vivos.

           Estar perto não é físico. A gente está sozinho mas perto de muita gente. Tem a ver com a internet, convivência com uma pessoa. Você se vê fazendo uma coisa que remete a essa pessoa, então ela está presente mas não físico. Não tem nada mais frio que a tela do computador. Vocês já pararam para ver vocês de fora no computador? É tanta coisa na cabeça e no computador mas são poucos movimentos.”

Exibição e debate com diretor Esmir Filho
Exibição e debate com diretor Esmir Filho

A relação do estar físico e estar ausente é demonstrada durante o filme todo. Nos primeiros momentos do filme o casal de jovens é visto através de um vídeo acessado pela internet. Nesse vídeo há um grande simbolismo do sufocamento e de tensões vividas, porém demonstradas de uma forma sublime e artisticamente. Mr Tambourine Man também sofre esse sufocamento e essa confusão além de ser obcecado por essa menina que tem sua vida na internet. Ela está morta, porém muito presente para ele através daqueles vídeos, como a morte pode ser tão ausente e tão presente simultaneamente?.

O amor pelo fazer cinema demonstrado pelo diretor Esmir no debate permitiu conceituar o que é cinema ou talvez que o cinema comece pelo ato de amá-lo. Fazer cinema é, além de tudo, a procura de história nas coisas. É preciso se esbarrar nas coisas para poder criar a relação com as suas histórias. Quando não se tem inspiração, “vai dar uma volta que alguma coisa vai acontecer” e você acaba captando alguma coisa, porque a

“percepção que você tem das coisas, da vida e que faz com que você crie histórias e exercite o seu olhar diante do mundo em forma de filme […] Porque o cinema é o exercício do olhar e se vocês puderem exercitar esse olhar da forma mais emocionante, mostrar como é que vocês veem o mundo, acho que isso é que une as pessoas porque você vai ver que não está sozinho e que tem outras pessoas que dialogam com você e que estão olhando aquela forma, para aquele lugar da mesma forma.”

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O diretor Esmir Filho

Esmir Filho graduou-se em Cinema na FAAP em 2004. Dirigiu vídeos experimentais e premiados curtas-metragens. Seu curta “Ímpar Par” levou o prêmio de melhor filme no Festival de Cinema de Kiev, Ucrânia, e de Huelva, Espanha. ,

Seu outro curta, “Alguma Coisa Assim”, realizado pelo 10º Festival Cultura Inglesa, conquistou o prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes 2006, além de ter sido premiado como melhor filme nos Festivais de Cinema de Kiev (Ucrânia), Biarritz e Gramado, onde também levou o prêmio de melhor direção. O curta também recebeu também prêmio de melhor curta concedido pelo Itamaraty.

Esmir é um dos realizadores do vídeo fenômeno da internet, “Tapa na Pantera”, que ultrapassou da marca de 10 milhões de espectadores. Em setembro do ano de 2006, recebeu o V Prêmio Jovem Brasileiro pelo governo do Estado de São Paulo, concedido pelo mérito dos jovens na sociedade pelo reconhecimento na área e empenho profissional.

Seu curta “Saliva” também estreou no Festival de Cannes 2007 e recebeu o prêmio de melhor direção no Festival de Gramado 2007. Desde 2005, dirige filmes e conteúdos audiovisuais para a produtora paulistana Ioiô Filmes.

Fonte texto: http://www.epipoca.com.br/gente/biografia/395872/esmir-filho

Fonte imagem: http://www.salivashots.com/about-esmir-filho

O filme “Os Famosos e os Duendes da Morte”

Os Famosos e os Duendes da MorteUm garoto de 16 anos, fã de Bob Dylan, tem acesso ao restante do mundo apenas por meio da internet, enquanto vê os dias passarem em uma pequena cidade rural de colonização alemã, no sul do Brasil. Até que uma figura misteriosa o faz mergulhar em lembranças e num mundo além da realidade.

Direção: Esmir Filho
Produção: Maria Ionescu
Roteiro Esmir Filho, Ismael Caneppele
Elenco  Adriana Seiffert,  Áurea Baptista,  Henrique Larré Mr., Ismael Caneppele, Samuel Reginatto
Gênero: Drama
Idioma  Português
Música Bob Dylan
Cinematografia: Esmir Filho
Estúdio Dezenove Som e Imagens
Lançamento: 2009

http://wwws.br.warnerbros.com/osfamososeosduendesdamorte/

Outras produções

Tapa na Pantera

Sinopse: Você quer?

http://portacurtas.org.br/filme/?name=tapa_na_pantera

Alguma Coisa Assim

Sinopse: Caio e Mari, dois adolescentes, saem à noite pelas ruas de São Paulo em busca de diversão. Entre sons e silêncios, descobrem mais sobre si mesmos.

http://portacurtas.org.br/filme/?name=alguma_coisa_assim

Saliva

Sinopse: Uma viagem na mente de uma menina de 12 anos prestes a dar seu primeiro beijo. Dúvidas e medos mergulhados em saliva.

http://portacurtas.org.br/filme/?name=saliva

Ímpar Par

Sinopse: Em meio a pés que vão e vem, cores e cordas de violino, o sapateiro de um pequeno vilarejo procura o par perfeito, em uma fábula de amor e sapatos.

http://portacurtas.org.br/filme/?name=impar_par

Ato II Cena 5

Sinopse: O teatro, a atriz, o ator: uma relação de amor e ódio, uma disputa,representações, a cena e a vida.

http://portacurtas.org.br/filme/?name=ato_ii_cena_5

Vibracall

Sinopse: Duas adolescentes fazem bom uso de seus aparelhos de celular na sala de aula. Para receber esse tipo de ligação você não precisa de um aparelho com MP3 ou câmera de vídeo, é só colocar seu celular no modo vibratório…

http://portacurtas.org.br/filme/?name=vibracall

Sete Anos Depois

Sinopse: Quando adolescentes, Mari e Caio eram melhores amigos. Sete anos depois, eles se reencontram para um evento importante na vida de Caio e ele tem uma proposta surpreendente para ela, que pode mudar a vida dos dois.

http://portacurtas.org.br/filme/?name=sete_anos_depois

Ensaio Aberto

Sinopse: Um parque, um artista, um pedaço de papel…

http://portacurtas.org.br/filme/?name=ensaio_aberto

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