No turno da tarde, foram exibidos dois documentários: “África Em Sala de Aula. A Lei 10.639” e “Menino 23”. O primeiro fala sobre a cultura africana e sua importância e influência na sociedade e foi produzido por estudantes. O segundo, sobre a experiência vivida por um grupo de 50 meninos na época da atuação da Ação Integralista Brasileira, os quais foram escravizados e perderam seus nomes, chamados, então, por números. Neste momento, o evento recebeu a ilustre presença da produtora de impacto do documentário “Menino 23”, Rossana Giesteira. No documentário “Menino 23”, 50 meninos perderam sua infância por causa dos integralistas, como pode-se observar na fala do Sr. Aloisio “A minha infância foi roubada! Nem sei o que é isso!”.

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Os “integralistas” se denominavam dessa maneira porque o nazismo era alemão e o fascismo, italiano, já o integralismo, brasileiro. Eles eram muito fortes e poderosos, então as pessoas sentiam medo e optavam por não fazer manifestações. Os integralistas realizavam testes em pessoas negras e brancas para comprovar a teoria da supremacia racial branca e tentar justificar a escravidão e o extermínio dos negros. Uma família de empresários e latifundiários ligados a essa organização buscou em orfanatos os meninos mais fortes e os levou para uma fazenda e os manteve isolados, não tendo contato com outras pessoas. Durante o debate, diversas questões foram levantadas, como, por exemplo, os silêncios e as dores que esse filme traz, e elas geraram muita comoção entre as pessoas. Afinal, quantas histórias como essa estão perdidas por aí?

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Belisario Franca há duas décadas dedica seu trabalho para inventariar tanto a cultura material e imaterial do Brasil através de um olho investigativo e crítico, mas lúdico suficiente para capturar aspectos únicos do país. (Fonte: IMDB)

“Menino 23” surge em 1998, quando o historiador Sydney Aguilar ensinava sobre nazismo alemão para uma turma de ensino médio quando uma aluna mencionou que havia centenas de tijolos na fazenda de sua família estampados com a suástica, o símbolo nazista. Esta informação despertou a curiosidade de Sidney e desencadeou sua pesquisa. Pouco a pouco, o filme mostra como o historiador avançou com a sua investigação, revelando que, além de fatos, ele também descobriu vítimas.

Sidney mostrou que empresários ligados ao pensamento eugenista ( integralistas e nazistas) removeram 50 meninos órfãos do Rio de Janeiro para Campina do Monte Alegre/SP para dez anos de escravidão e isolamento na Fazenda Santa Albertina de Osvaldo Rocha Miranda.

O trabalho de Sidney vai reconstituir laços estreitos entre as elites brasileiras e crenças nazistas, refletidos em um projeto eugênico implementado no Brasil. Aloísio Silva, um dos sobreviventes, lembra a terrível experiência que escravizou os meninos ao ponto de privá-los do uso de seus nomes, transformando-o no “23”.

Sidney e outros historiadores e especialistas irão delinear os contextos históricos, políticos e sociais do Brasil durante os anos 20 e 30, explicando como um caldeirão étnico como o Brasil absorveu e aceitou as teorias de eugenia e pureza racial, a ponto de incluí-los em sua Constituição de 1934.

A investigação culmina com a descoberta de Argemiro, outro sobrevivente do projeto nazista da Cruzeiro do Sul. Sua trajetória reforça ainda mais como os conceitos de “supremacia branca” e as tentativas de “branqueamento da população” marcaram nossa sociedade deixando sequelas devastadoras até os dias de hoje. Sendo o racismo e – mais ainda – a negação do mesmo, as mais permanentes.”

Equipe Técnica:

Direção: Belisario Franca
Roteiro: Bianca Lenti e Belisario Franca
Produção: Maria Carneiro da Cunha
Produção Executiva: Cláudia Lima
Edição: Yan Motta
Musica: Armand Amar
Fotografia: Thiago Lima, Mário Franca e Lula Cerri.
(Fonte: Site oficial do filme)