Mesa-redonda Cinema, Audiovisual e Educação

A 3ª Mostra Audiovisual Estudantil Joaquim Venâncio contou com a participação de Bete Bullara (Cineduc) e Felicia Krumholz (Mostra Geração) no debate mediado por Gregorio Galvão de Albuquerque (EPSJV/FIOCRUZ), sobre sua experiência com o cinema, o audiovisual e a educação.

Felicia Krumholz
Felicia Krumholz

Felicia Krumholz compartilhou sua relação com o “vírus” do cinema, a partir de sua primeira experiência com um cineclube perto de sua casa, e depois na faculdade também através de cineclubes. No Cineduc, iniciou a sua “trajetória ou tragédia” de ser professora. “Por que tragédia ou trajetória? Por que você fazer as coisas com paixão é um máximo mas precisa sobreviver dessas coisas com paixão, aí começa ficar complicado”, assim foi trabalhar no grupo Estação, compondo parte do grupo fundador. Quando montou o cineclube Estação Botafogo tinha como objetivo, no inicio dos anos 80, a possibilidade de passar um filme diferente em uma sala que não fosse um cineclube no fundo de uma igreja, levando esse tipo de filme (Godard, Truffaut etc) para um público maior. Conseguiram transformar o Estação em uma sala de cinema e quando começaram a surgir muitas propostas e demandas de filmes organizaram a “Mostra de Cinema”, para exibir filmes que não passavam em outras salas, como filmes iranianos e asiáticos. Continuando a trajetória do grupo Estação, a Mostra de Cinema transforma-se no Festival de Cinema do Rio de Janeiro, no qual é pensado também um espaço para exibição de filmes com temáticas e produzidos por crianças e adolescentes, nascendo assim a Mostra Geração e o Vídeo Fórum.

Bete Bullara (Cineduc)
Bete Bullara (Cineduc)

Em seguida, Bete Bullara relatou a criação do Cineduc em 1970, dentro da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Nessa época os cineclubes eram todos feitos em Igrejas e não havia uma ação para evangelização através do cinema. Em 1936 o Papa fez uma bula dizendo que o cinema tinha uma magia e que as pessoas se sentiam envolvidas por ele e assim muitos filmes, que tinham certa moralidade, poderiam ajudar construir uma moral na sociedade. Bete contrapõs essa visão “moralista” ponderando que “a Igreja tem uma ligação com arte e arte não tem haver com o moralismo, porque arte é arte”.  Para ela, a linguagem tem uma coisa óbvia que todos entendem, como “o gato subiu no telhado”, mas, dependendo da circunstância que a frase é dita, tem outras interpretações. Então “como podemos aprender melhor uma linguagem? Vendo e fazendo, quanto mais a gente faz melhor a gente vê e quanto mais a gente vê mais a gente faz”, explicou. O mundo é muito complexo, enxergamos ele através de duas maneiras: olhando o cotidiano visivelmente, “uma janela do ônibus é um olho sobre o mundo”; e o olho sobre o olhar do outro, sobre a fotografia do outro, da televisão… “olhar sobre o mundo que o outro preparou para gente com sua opinião e subjetividade”.

27/06 - Mesa-redonda Cinema, Audiovisual e Educação
27/06 – Mesa-redonda Cinema, Audiovisual e Educação

Terminando a apresentação da mesa, Felicia Krumholz contou a experiência do Cinema Nosso, uma escola de audiovisual popular fundada em 2000, que surge como o grupo Nós no Cinema, composto pelos meninos que participaram, durante seis meses, dos sets de filmagem do filme Cidade de Deus. Após o fim da produção, esses meninos não queriam “desmontar o set” e voltar para a escola. Diante desse “problema” e do sucesso do filme, os produtores tiveram a ideia de manter os meninos que participaram dessa experiência em uma escola “dos sonhos” que tinha aos sábados aulas de cinema. Quando o filme Cidade de Deus foi lançado, os pedidos de sessões e debates surgiram em grande quantidade e  o grupo Nós no Cinema precisou se organizar para que os debates tivessem uma coesão. Exatamente nesse momento, o governo começou a incentivar, através de financiamento, instituições que desenvolvem trabalho com comunidades e, assim, o grupo Nós do Cinema se organizou para obter esse financiamento e oferecer aulas de  audiovisual  em comunidades.

……….

Bete Bullara é formada em cinema pela Universidade Federal Fluminense, jornalista e fotógrafa. Faz parte da equipe do CINEDUC desde 1975, onde participa de cursos e oficinas para professores, crianças e adolescentes, mesas redondas e palestras no Brasil e no exterior. Atualmente é Secretária Executiva da entidade.

Felicia Krumholz – atua, desde 1978, na área de educação e audiovisual. Iniciou a carreira como educadora do Cineduc. No Grupo Estação de Cinema, idealizou e coordenou a Oficina Cine Escola, programa educativo da rede que utiliza filmes como ferramenta pedagógica para professores. Desde 1999, coordena e é curadora da Mostra Geração, o segmento infantojuvenil do Festival do Rio.

Veja a mesa-redonda na íntegra

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